vice-versa e além
a vida vai e vem
engaiolado ou nem
sabiá canta também
(pra Sofia e pro Sabiú)
sexta-feira, 11 de novembro de 2011
segunda-feira, 10 de outubro de 2011
domingo, 12 de junho de 2011
sim, iria!
- cante uma música, agora! - disse enfático o coordenador.
- "venham venham todos, ver o palhacinho..."
- outra música! sem pensar!
- "quando me dizes em segredo que me queres, e meu olhar..."
- outra!
- "você, é algo assim, é tudo pra mim..."
- isso! agora continue cantando e, lentamente, dê um giro de 360o graus. veja se há algo neste sala que pode te ajudar.
- "...é como eu sonhava, baby..."
nesse momento, o garoto girou lentamente e cantou. não parou um segundo sequer. se não sabia o resto da letra, repetia. conforme foi girando, foi observando o recinto atentamente pensando: o que pode ser? passou por várias fotos da infância de cada um de seus colegas pregadas na parede. foi quando topou com a sua própria foto. tinha uns 4 anos de idade naquela foto. aquele rosto leve, sem preocupações, sorrindo à toa... nesse momento, engasgou e não conseguiu mais cantar. tentou uma vez mais, mas não conseguia, a voz não saía, o canto era difícil. percebeu que os versos da música (que por sinal, não gostava) expressavam algo muito forte naquele momento, e como se sentiu pequeno e pedante por ter um dia falado mal dela!
- "sou feliz... agora... não, não vá embora...".
mas foi embora. continuou girando e deixou a foto pra trás. foi nesse momento que o coordenador parou com tudo. o garoto parou de cantar, ainda emocionado, e percebeu muito bem onde tinha errado.
- o clown não iria até ali pedir ajuda?
- sim, mas é claro que iria.
- não foi desta vez que você conseguiu de fato mudar as coisas.
- "venham venham todos, ver o palhacinho..."
- outra música! sem pensar!
- "quando me dizes em segredo que me queres, e meu olhar..."
- outra!
- "você, é algo assim, é tudo pra mim..."
- isso! agora continue cantando e, lentamente, dê um giro de 360o graus. veja se há algo neste sala que pode te ajudar.
- "...é como eu sonhava, baby..."
nesse momento, o garoto girou lentamente e cantou. não parou um segundo sequer. se não sabia o resto da letra, repetia. conforme foi girando, foi observando o recinto atentamente pensando: o que pode ser? passou por várias fotos da infância de cada um de seus colegas pregadas na parede. foi quando topou com a sua própria foto. tinha uns 4 anos de idade naquela foto. aquele rosto leve, sem preocupações, sorrindo à toa... nesse momento, engasgou e não conseguiu mais cantar. tentou uma vez mais, mas não conseguia, a voz não saía, o canto era difícil. percebeu que os versos da música (que por sinal, não gostava) expressavam algo muito forte naquele momento, e como se sentiu pequeno e pedante por ter um dia falado mal dela!
- "sou feliz... agora... não, não vá embora...".
mas foi embora. continuou girando e deixou a foto pra trás. foi nesse momento que o coordenador parou com tudo. o garoto parou de cantar, ainda emocionado, e percebeu muito bem onde tinha errado.
- o clown não iria até ali pedir ajuda?
- sim, mas é claro que iria.
- não foi desta vez que você conseguiu de fato mudar as coisas.
segunda-feira, 6 de dezembro de 2010
olhei pro alpendre e vi
minha vó olhando pro nada,
na sua velha cadeira sentada!
a sobrinha dela ligou nessa hora,
dizendo pra ela esperar lá fora,
que a sua irmã, num minuto afoito,
iria passar pra levar uns biscoitos!
contei isso a ela e a expressão logo mudou,
ela na hora se levantou e,
caminhando, disse em direção ao portão:
"não é ruim, não"!
minha vó olhando pro nada,
na sua velha cadeira sentada!
a sobrinha dela ligou nessa hora,
dizendo pra ela esperar lá fora,
que a sua irmã, num minuto afoito,
iria passar pra levar uns biscoitos!
contei isso a ela e a expressão logo mudou,
ela na hora se levantou e,
caminhando, disse em direção ao portão:
"não é ruim, não"!
quarta-feira, 8 de setembro de 2010
sábado, 14 de agosto de 2010
terra firme
busco o novo mundo no céu
e com meus sonhos se funde...
essa dança de nuvens é lenta
tão efêmero seu mapa-mundi...
e com meus sonhos se funde...
essa dança de nuvens é lenta
tão efêmero seu mapa-mundi...
sábado, 7 de agosto de 2010
ciúme doentio
bem agora, à meia-noite,
ela deixou em mim uma dormência,
como uma meia-morte, e, cansada,
foi cair nos braços de outro.
esse abraço não é meu!
ela me disse o nome dele,
mas não quero me lembrar...
ela deixou em mim uma dormência,
como uma meia-morte, e, cansada,
foi cair nos braços de outro.
esse abraço não é meu!
ela me disse o nome dele,
mas não quero me lembrar...
sábado, 31 de julho de 2010
happy hour
na cerimônia da minha crisma,
minha cisma é com o bispo
que não para de falar e falar...
e o fim, que parece nunca chegar,
de surpresa, muito feliz nos faz:
"ide em paz, e que o senhor vos acompanhe"!
e de champanhe em mãos, uma ênfase profunda
inunda a catedral, a uma só voz,
no atroz brado dos amigos meus:
"graças a deus!!!"
(pra Carol) :o)
minha cisma é com o bispo
que não para de falar e falar...
e o fim, que parece nunca chegar,
de surpresa, muito feliz nos faz:
"ide em paz, e que o senhor vos acompanhe"!
e de champanhe em mãos, uma ênfase profunda
inunda a catedral, a uma só voz,
no atroz brado dos amigos meus:
"graças a deus!!!"
(pra Carol) :o)
sábado, 24 de julho de 2010
verde que te quero semente
germinando lentamente
a romper o asfalto quente
contra a espuma azul
do alto
agora verde, já verde
se eu procedo mal
ou se me volto pra trás
converto-me em estátua de sal
e de mim nada brota mais
não temas!
verde que te quero maduro
puro, a duras penas
vou tratar de buscar verde novo
longe da sombra de meu próprio ovo
germinando lentamente
a romper o asfalto quente
contra a espuma azul
do alto
agora verde, já verde
se eu procedo mal
ou se me volto pra trás
converto-me em estátua de sal
e de mim nada brota mais
não temas!
verde que te quero maduro
puro, a duras penas
vou tratar de buscar verde novo
longe da sombra de meu próprio ovo
quarta-feira, 21 de julho de 2010
condição
a morte está pra vida
como o corte pra ferida
não que a vida seja dor
pois é o mero condutor
do acaso que comanda
o girar de uma ciranda
é que um corte repentino
marca a sorte do destino
como o corte pra ferida
não que a vida seja dor
pois é o mero condutor
do acaso que comanda
o girar de uma ciranda
é que um corte repentino
marca a sorte do destino
sábado, 17 de julho de 2010
quinta-feira, 15 de julho de 2010
sábado, 10 de julho de 2010
carta miragem
um dia me reclamou do vazio
que não encontro por perto
pois se é de fato deserto,
é quando o sol queima
e o suor escorre
e o vento seca
e a miragem engana
e o silêncio impera
e a areia cega
e bem longe da praia
você vai e se entrega
que não encontro por perto
pois se é de fato deserto,
é quando o sol queima
e o suor escorre
e o vento seca
e a miragem engana
e o silêncio impera
e a areia cega
e bem longe da praia
você vai e se entrega
domingo, 4 de julho de 2010
educado
eita, garoto acanhado!
garoto sempre calado
e quando muito perguntado:
"alguma dúvida?"
responde sempre:
"tenho muitas, obrigado"
garoto sempre calado
e quando muito perguntado:
"alguma dúvida?"
responde sempre:
"tenho muitas, obrigado"
terça-feira, 29 de junho de 2010
coração dos outros
é terra que pisa quem quer
coração com cerca
de arame farpado
pode ser tocado por quem quiser
a tristeza do coração
não está no coração
não é de solidão
não é por ser pisado
quem bem quer ver coração
deve arcar com a invasão
de uma terra produtiva
a tristeza do homem
é a condição de todo gado:
é poder passar a cerca
e estar do lado errado
é terra que pisa quem quer
coração com cerca
de arame farpado
pode ser tocado por quem quiser
a tristeza do coração
não está no coração
não é de solidão
não é por ser pisado
quem bem quer ver coração
deve arcar com a invasão
de uma terra produtiva
a tristeza do homem
é a condição de todo gado:
é poder passar a cerca
e estar do lado errado
segunda-feira, 28 de junho de 2010
sábado, 26 de junho de 2010
pretérito perfeito
minha primeira professora de piano
me ensinou as notas através de cores.
até hoje, pra mim, cada nota é de uma cor!
dó foi a vermelha porque, na partitura,
é cortada ao meio...
dela eu já tive muito dó
(pra Fátima e pra Carol) :o)
me ensinou as notas através de cores.
até hoje, pra mim, cada nota é de uma cor!
dó foi a vermelha porque, na partitura,
é cortada ao meio...
dela eu já tive muito dó
(pra Fátima e pra Carol) :o)
aquela
"não disponho de todo o amor que quero
mas preciso de todo o amor que tenho"
assim me revelou por tabela
aquela que levaria
um dia a própria vida
vertida no jovem sofredor
de sua fantasia,
e usando da própria dor
como anestesia
mas a trágica e nostálgica calmaria do vento
ao fim, obrigada a assumir seu único papel
revelaria sua indiferença a seu olhar atento
e perdido,
agora ido.
mas preciso de todo o amor que tenho"
assim me revelou por tabela
aquela que levaria
um dia a própria vida
vertida no jovem sofredor
de sua fantasia,
e usando da própria dor
como anestesia
mas a trágica e nostálgica calmaria do vento
ao fim, obrigada a assumir seu único papel
revelaria sua indiferença a seu olhar atento
e perdido,
agora ido.
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