sábado, 26 de junho de 2010

pretérito perfeito

minha primeira professora de piano
me ensinou as notas através de cores.
até hoje, pra mim, cada nota é de uma cor!
dó foi a vermelha porque, na partitura,
é cortada ao meio...
dela eu já tive muito dó

(pra Fátima e pra Carol) :o)
se um dia,
meu deus do céu,
eu largá a mardita
prometo que todo dia
acendo duas vela
e preparo duas tigela:
uma pro santo
e uma pra goela

(kkkk, a Jujuba acabou de fazer esse aqui)

aquela

"não disponho de todo o amor que quero
mas preciso de todo o amor que tenho"

assim me revelou por tabela
aquela que levaria
um dia a própria vida
vertida no jovem sofredor
de sua fantasia,
e usando da própria dor
como anestesia

mas a trágica e nostálgica calmaria do vento
ao fim, obrigada a assumir seu único papel
revelaria sua indiferença a seu olhar atento
e perdido,
agora ido.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

(momento prosa)

São 4:30 da manhã. Vou contar o que aconteceu na noite do dia 11 pro dia 12. Costumo contar vivências pessoais - e este texto não será diferente -, mas não quero que tomem como desabafos, mas como paralelos (não perguntem, é isso e pronto rsrs). Este aqui considero até mesmo um "conto de poder", que é - de acordo com Carlos Castaneda - como se chamam as histórias que os guerreiros toltecas contavam aos seus aprendizes para os levar ao poder, à liberdade. E antes de qualquer comentário, essas histórias aconteciam também com não-guerreiros :o)

Tinha uma rolinha que resolveu chocar seus dois ovinhos no vaso do alpendre da minha casa. Minha mãe não achou ruim e resolveu deixar a rolinha lá, pelo tempo que fosse necessário pros passarinhos se "emanciparem".
Como o vaso ficava suspenso, pendurado pelo teto, ela poderia ficar mais segura dos gatos que costumavam perambular e cagar pelo alpendre às noites. E por alguns dias ela ficou lá sem problema nenhum.
Na noite mencionada, eu saí pro alpendre pra preparar o carro. Tinha me esquecido completamente da rolinha, e, enquanto voltava pra dentro pra pegar algo que eu tinha esquecido, sem querer esbarrei na planta do vaso e ela se assustou. Começou a voar num ponto do alpendre, querendo sair mas não sabendo como. Eu entrei em casa pra ver se ela se acalmava, até que ela parou de fazer barulho. Voltei pra fora, conferi no vaso e no carro, mas nada. Fui achar ela acuada no chão, no outro canto do alpendre, e abri o portão pra tirar o carro. Ela não saiu de lá.
Quando dei partida no carro, fiquei preocupado de passar por cima dela e saí do carro, com ele ligado, pra ver se ela ainda estava no mesmo canto, mas não, ela estava um pouco mais perto do portão, camuflada pela cor do chão.
Foi nesse momento que apareceu um gato branco a uns três metros dela, olhou-a, parou por um breve segundo e, num piscar de olhos, correu até ela, abocanhou-a, e saiu correndo. Isso a menos de um metro de onde eu estava.
Tentei assustar o gato, a rolinha ainda conseguiu se desprender dele por umas duas vezes, mas sem chances; ele sempre conseguia pegar ela no ar. E assim sumiu de vista.

Minha mãe e minha vó ficaram consternadas com o gato, chamaram de filho da puta, disseram que iam colocar veneno pra ele e etc, mas ficou por isso mesmo.

A questão que me coloquei é que as tais "boas intenções" não tem poder algum diante do acaso, totalmente impessoal. Nessa história, as "boas intenções", ao final das contas, acabaram se tornando a raiva e o assombro de uma pessoa diante dessa impessoalidade, o desejo de culpar o ato instintivo de um animal e cometer a mesma "atrocidade" que julgou estar nele, como se isso fosse para autenticar um protocolo; uma maneira de negar sua falta de controle diante desse tal destino.
Estou eu preocupado com o inimigo errado? Isso não é importante, mas também não é desprezível. Sem saber, posso estar caminhando com minhas próprias pernas em direção àquilo que realmente quero evitar, e é isso que o acaso impessoal pode estar preparando pra mim, e que nenhum cuidado ou caridade poderão evitar. O gato branco está a espreita de todos, sem excessão, e é pra ele que iremos um dia. É necessária a sobriedade de não procurar culpados, pois há um destino aí pra aceitar, sem qualquer sombra de acomodação ou inação... como uma condição, não uma maldição.

sábado, 12 de junho de 2010

seta

nem mesmo meta
se desloca
em linha reta

quinta-feira, 10 de junho de 2010

amplexo

plexo solar queimando!
é o instante -
não é infarto -
em que o sol
cobre a sombra
da qual estou farto

quarta-feira, 2 de junho de 2010

copo d'água

o intento é a água
onde nada este momento...
e não o contrário

neste mesmo instante
vem o segundo adiante
e se enrosca na rede
mas o velho pescador
não mata fome nem sede

terça-feira, 1 de junho de 2010

(momento prosa)

São 4:45 da madrugada. Vou relatar um acontecimento da semana passada, quando trabalhei como garçon de buffet num evento grande que teve aqui por Sampa.

Sampa é um lugar grandinho, mas às vezes até acontece da gente encontrar um conhecido aqui ou ali... nem é assim tão incomum.
Enquanto eu dava suporte à galera do evento (e servia os que estavam cansados demais pra apertar o botaozinho do café), avistei uma menina que tinha estudado em Ouro Preto também. No segundo dia do evento, ela se aproximou pra pegar café e eu falei com ela. Rolou um desconforto básico, deu pra notar... mas o diálogo foi esse:

- Você estudou em Ouro Preto, não foi?
- Foi sim, fiz #######... você também estudou lá?
- Aham, fiz artes cênicas.
- Ah, bacana. Eu não me lembro de você... mas você se lembra de mim!
- Pois é, deve ser do bandejão... nossos cursos não são tão próximos...
- É, deve ser. Bem... então, bom trabalho pra você.
- Valeu. A gente se fala!

Agora vou dizer como conheci essa menina:
Em 2003, algumas semanas depois do Hotel Pilão da Praça Tiradentes pegar fogo (eu morava do lado desse hotel, e tive que mudar de casa por uns tempos), um evento ocorria sempre aos domingos na mesma Praça... a galera tocava música, dava algodão doce de graça e etc. Pouco mais à noite, tava eu naquele clima de enterro quando apareceu um amigo (juro que me esqueci quem rsrsrs) e trocamos idéia um pouco. Essa menina, conhecida dele, chegou e começamos a conversar, até que ele foi embora e nos deixou sozinhos. Eu tava simplesmente encantado :o)
Sentamos no monumento da praça e ficamos assistindo a apresentação de voz e violão, conversando por um bom tempo. Dois bobos afim um do outro, mas sem passar da conversinha mole, até o fim da apresentação.
Acompanhei ela até o táxi, rolou uma despedida meio sem jeito dos dois, aquele clima gostoso que não passou disso... e não me lembro de ter visto ela de novo. Só sei que fiquei um bom tempo querendo encontrar com ela de novo, sabia o nome dela e tal (um nome até incomum), mas nunca fui atrás.

Tirei algumas conclusões disso tudo...

sexta-feira, 21 de maio de 2010

a rede vai
a rede vem
às vezes
traz um peixinho
às vezes
nana neném

(esse foi a Jujuba quem fez) :o)

sábado, 15 de maio de 2010

suco de maracujá

- liquidificador?!
- ao seu dispor.
- água de torneira?!
- não, da geladeira.
- adoçante?!
- sim, adiante.
- faca de pão?!
- tá na mão.
- então... descascar maracujá!!
- é pra já!

(pra Lelê) :o)

sexta-feira, 30 de abril de 2010

verdade

o sorriso verdadeiro explode, detona e escancara.
é a expressão artística em seu estado mais puro...
a obra-prima de cada indivíduo!
uma gema de "arte bruta"
(ainda mais bruta que a de Wölfli)
que, desenterrada num impulso misterioso e irrefreável,
explode numa manifestação única, inspiradora,
desprovida de apetrechos e técnicas,
detona dores e frustrações,
e escancara a total responsabilidade do apreciador
por suas interpretações, escolhas, reações...

terça-feira, 27 de abril de 2010

grito de guerra niilista da Imprópria Cia. Teatral

eu já falei
vou repetir:
eu já falei
vou repetir:
eu já falei
vou repetir:
eu já falei
vou repetir:
eu já falei
...

(viva a Imprópria Cia. Teatral sem fim) :o)

quinta-feira, 15 de abril de 2010

não responda

se ao acaso
encara a dor
face a face
é passo em falso
ou falso impasse?

quinta-feira, 8 de abril de 2010

dia-a-dia

esse seu semblante sério
não acrescentará peso
ao seu passo semi-etéreo

terça-feira, 6 de abril de 2010

aniversário da vó

me enrosco nos fiapos de papel
das balinhas de coco
e o olho brilha:
no meio deles tem outra
balinha de coco

bala delícia
derrete na boca
e minha vó adora...
a dentadura não deixa
mastigar caramelo

sorri amarelo

segunda-feira, 5 de abril de 2010

vaidade

visto a humildade
e parto pro prélio...
minha nova idade
me faz mais velho

domingo, 4 de abril de 2010

pára bens

não me encham o saco
nesta minha nova idade...
"parabéns" não tem nada a ver
com processo de interdição
por senilidade

(perco seguidor, mas... kkkk) :o)

quarta-feira, 31 de março de 2010

nem que tenha que sujar
as mãos
nem que tenha que contar
seus "nãos"
nem que venha a me sentir
um monge
nem que venha a sussurrar
de longe
nem que tenha que pagar
a língua
nem que tenha que me ver
à míngua
nem que seja numa lua
cheia
nem que seja pr’uma volta
ou meia
nem que venha a me fazer
garboso
nem que tenha que sorrir
nervoso
nem que acabe por verter
em dor
nem que venha a desbotar
a cor
nem que passe a remexer
escombros
nem que seja para dar
de ombros
nem que tenha que morrer
na praia
nem que passe a ser da sua
laia
nem que tenha que cortar
os pulsos
nem que venha a reprimir
impulsos
nem que seja pra perder
o trem
nem que seja pra dizer
que vem
nem que tenha que engolir
o choro
nem que tenha que gritar
em coro
nem que tenha que rasgar
a roupa
nem que queira jogar fora
a polpa
nem que seja pra cantar
de galo
nem que seja pra quebrar
no talo
nem que queira caçoar
me ouça
já que sou quem vai lavar
a louça
no momento pelo qual
me calo

dança das máscaras

| :o))o:|
|:o((o: |
| :o))o:|
|:o((o: |
| :o))o:|
|:o((o: |
| :o))o:|

agora de mãos dadas

...:o))o::o((o::o))o::o((o::o))o::o((o::o))o:...

brinde

vamos levantar um brinde
para o fim de tudo:

não quero mais olhar pra frente...
a esperança é o alimento do futuro
sendo o puro veneno do presente